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OSSO


projecto iniciado em Novembro de 2016
primeiro ensaio e apresentação Setembro de 2017

instalação audio visual e desenho de luz
parte I                Teatro Ribeiro Conceição
part  II                ZONA



I.





"No rio coura, em criança, abri o joelho quando acabava de brincar com uma tábua a fingir de prancha: um corte profundo provocado por um prego mal-amanhado. Entre a dor e o medo de afligir a minha mãe movi a perna a vários ritmos, apelando a diferentes velocidades físicas de modo a parecer estar normal - um poema estraga a máquina por dentro, como se fosse poeira. Repeti variadíssimas vezes o mesmo gesto como se de uma máquina tratasse – se o movimento executado foi igual ao anterior está saudável. Nunca vi um osso meu, nem mesmo com aquela ferida de tão profunda que era. É o esqueleto que suspende a nossa carne e neste trabalho queria “ver” o “esqueleto” que suporta o meu corpo nas ruas onde cresci. Ao inicio (Novembro 2016) usei cinco tiras de vinil de espelho para caminhar sobre elas em cinco caminhos desiguais pela cidade. Posteriormente, em Maio de 2017, fiz o mesmo percurso, desta vez digital, em mapas topográficos, na ideia de ser projectado sobre as tiras já instaladas. A “terra de ninguém” ficou bem assente nestes caminhos, onde viver com os meus próprios pensamentos foi como viver junto com o meu corte na altura: fingir que estava tudo bem, saber entreter-me a mim mesmo. Este primeiro ensaio acabou com uma necessidade pessoal de retirar retalhos cinematográficos, monólogos que acompanhassem os cinco caminhos, solitários, que deambula entre a necessidade de viver e a melancolia - a água mais transpirada. O acrílico no chão é um elemento transversal a estes ensaios, é a capa que se vai moldando à minha espinha, progressivamente vencida pelo tempo."   
                                          folha de sala da exposição parte I.



 


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